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segunda-feira, 19 de março de 2012

UM FILME PARA SER OUVIDO // DRIVE

Por  Leonardo de Carvalho Prozczinski


O brilhantismo de Drive, dirigido por Nicolas Winding Refn, dinamarquês criado em Nova York, vai além do que se vê nas telas. Por trás da bela história de um justiceiro que faz de tudo para proteger seus vizinhos, percebe-se a genialidade de Cliff Martinez, ex-baterista do Red Hot Chili Peppers, na composição da trilha sonora. A vibe anos 80 da trilha somada às poucas falas do personagem principal, que sequer tem seu nome citado no filme, contrasta com as constantes variações de ambiente do roteiro. 

Gosling em cena de Drive

No dia seguinte à sua estreia, a trilha já alcançava o quinto lugar no iTunes Music Charts. As músicas acompanham perfeitamente o clima dos diferentes ambientes que compõem o longa. A história do motorista de assaltos que pilota carros poderosos, mas que ao mesmo tempo faz justiça com as próprias mãos, faz com que até o par de luvas do protagonista pareça algo cool. Para Jeffery Berg, do blog Frontier Psychiatrist, Martinez teve como grande referência a trilha memorável do filme O Expresso da Meia Noite, com grandes variações de ritmos, mas sempre mantendo a base eletrônica old school

Drive não traz grandes explosões ou tiroteios constantes, o que pode decepcionar os mais aficionados pelo tema “ação”, mas demonstra perfeição na escolha da trilha que acompanha a história. Nomeado ao Oscar pela edição de som e eleito pela Sociedade dos Críticos de Cinema de Boston pelo melhor uso da música em um filme, o álbum da trilha conta com, além das catorze composições de Cliff Martinez, outras cinco músicas que mantêm a vertente eletrônica dos anos 80, das quais se destaca “A Real Hero”, do (s) grupo (s) College e Eletric Youth, que acompanha a última cena da película. A música fixa-se em nossas cabeças, exaltando a ambiguidade do personagem principal, um justiceiro (real hero), que procura fazer o possível para sobreviver, mas muitas vezes tem que sair de seu rumo para conseguir se manter vivo. 





Drive IMDb

Drive (Soundtrack) – iTunes

sábado, 17 de março de 2012

DRIVE E O "DOM" DE DIRIGIR

Por Andrei Vanin

Drive é um filme norte-americano lançado em 2011, com a direção de Nicolas Winding Refn. Com duração de 100 minutos, a película mistura drama e ação. O filme é uma adaptação feita por Hossein Amini do livro homônimo, escrito por James Sallis. Refn dá vida à trama com um elenco afinado: Ryan Gosling, interpretando o motorista/vingador, Carey Mulligan, interpretando Irene, a dona de casa e esposa de um ex-presidiário, e Bryan Cranston, que interpreta Shannon, o “chefe” e amigo de Gosling. 





Ryan Gosling vive o protagonista, um dublê de filmes e mecânico de dia, que à noite se “transforma” em um motorista “profissional” no mundo negro do crime. O “motorista” conhece sua vizinha Irene e eles começam a sair juntos. Contudo, algo dá errado e a vida de todos fica “em risco”. 

O filme rendeu ao diretor dinamarquês Nicola Winding Refn o prêmio de melhor direção no Cannes, 2011. Pra a AFP, na época da premiação, o diretor declarou que "desde criança vejo todo tipo de filmes, embora tenha uma fraqueza pelo cinema dos europeus em Hollywood. Sempre sonhei em viver o mito de Los Angeles e quando me propuseram a adaptação do livro de James Sallis sobre este piloto, que faz acrobacias para o cinema com seu carro e depois trabalha com ladrões, aceitei logo".

Imagem: Ryan Gosling em cena de Drive


Drive é um condensado de ações e uma narrativa “dramática”. As poucas palavras ditas pelo motorista – sem nome – ,Ryan Gosling, não deixam o filme com carência de movimento. O olhar solitário, melancólico e até encantador do ator dá vida a um personagem que não precisa de palavras para se transformar no “herói” do filme: suas ações falam por si, seja na delicadeza de brincar com uma criança ou na brutalidade de matar uma pessoa a chutes na frente de Irene. 

À primeira vista, a trama de Drive pode sugerir ao espectador uma impressão de que o filme não tem nada de revolucionário ou novo em relação ao que já se fez no cinema. Não obstante, no decorrer da narrativa nota-se a boa construção do filme, integrando uma montagem tensa a uma trilha sonora que ressalta os aspectos de obsessão que perpassam a história. Drive, do começo ao fim, "dirige" a audiência para o encontro de surpresas e ainda é capaz de mostrar como o gênero "ação" é passível de recortar influências e de criar bom cinema.