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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

É HORA DE DAR TCHAU


Por Yan Kaue Brasil 

Com clima de fim, despedida, adeusinho & chororô, Sines dá tapinha nas costas e diz tchau; adeus; até a não-volta. Porém-entretanto-todavia-sobretudo, tem top (less) 10 de finaleira, coisa rápida, sem gaguejo, pelo ían: eu. 

10 Robyn – Call Your Girlfriend: não é 2012, muito menos 2011, é 2010, porém Robyn é interdiscurso do Sines e, sobretudo, dona de um dos álbuns pops mais elogiados dos últimos tempos. Pra lá de empolgante, Call Your Girlfriend é de vestir o maiô e o creeper e dançar com a família na boate. 



09 Goldfrapp – Melancholy Sky: o duo Goldfrapp lançou nesse ano o disco The Singles (2012), uma compilação com todos os seus singles, além de duas novas músicas. Uma delas é Melancholy Sky: música de clima leve, quase orquestral, que chega a um clímax nostálgico em seus coros. 

08 Two Doors Cinema Club – Sun: banda de indie rock britânica que, em 2012, lançou o álbum Beacon (2012) e Sun é um de seus singles. Sun é dançante, com guitarra estridente e coro (& dancinha) contagiante. 

07 The Vaccines – I Always Knew: single do álbum Come Of Age (2012), I Always Knew é nostálgica e empolgante, com uma pegada juvenil viciante. 

06 Fiona Apple – Every Single Night: após seis anos, Fiona apresenta seu novo álbum, The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do (2012), cheio de sensibilidade confessional, porém com uma abordagem amadurecida. Every Single Night é densa, com direito a rugidos e doçuras. 

05 Patti Smith – Amerigo: Banga (2012), última álbum da poetiza e musicista Patti Smith, foi adorado pela crítica. Amerigo, em especial, carrega essa veia poética de Patti, com questionamentos e despedidas. 

04 The XX – Chained: Coexist (2012) é o ultimo álbum da banda The XX, no maior clima dias-cinzas-&-cafés. Chained, a faixa-single não se dispersa: é banzo, modesta, reflexiva - o que o Prozczinski chamaria de “beleza silenciosa”. 

03 Amanda Palmer – The Killing Type: com a ajuda de seus fãs, Amanda Palmer arrecadou mais de 1 milhão de dólares a produção de seu novo álbum, Theatre is Evil (2012), sendo The Killing Type o single. A faixa tem um pegada rock n’ roll crua e agressiva.




02 Muse – Madness: a banda britânica, que permeia o progressivo e o alternativo, lança em 2012 o álbum The 2nd Law (2012), sendo Madness um dos singles lançados. A faixa pode ser considerada uma das mais bem sucedidas do álbum: um jogo de vibrações sobre (não-) liberdade e reconciliações. 

01 Grimes – Genesis: a canadense Claire Boucher ganhou meu S2 em Visions (2012), seu último álbum. Uma mistura coesa de diversão, alucinação & sobreposição. Genesis, sobretudo no clipe, apresenta essas características: é dançante, empolgante, com direito a gritos, sussurros e coreografia bizarra.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

LADO B > A


Por Yan Kaue Brasil 

Desde a década de 90, a banda inglesa Elbow acumula faixas não-gravadas que, em 2012, transformaram-se no seu álbum-b-side-de-bom-gosto, o Dead In The Boot (2012), compilação feita a dedo, com o melhor da calmaria reflexivo-angustiante. 

Elbow

O álbum abre com Whisper Grass – lado B de Cast Of Thousands (2003) –, que oscila entre vocais suaves, batida de pratos e solos de guitarra – além de seus quase-clímax. A voz arrastada e dramática aparece em Luck With Diseare, assim como o piano no primeiro plano em Lay Down Your Cross, com clima de nostalgia. Every Bit The Little Girl é esperançosa; com batidas regulares e vozes multiplicadas, a faixa (quase) transcende. 

Dead In The Boot está longe de ser exaustivo. O álbum produz microclimas distintos em cada faixa, porém, sempre mantém uma coesão que reverbera do início ao fim do disco. No One é densa, com um piano que contrasta com o violão e as batidas regulares da bateria de Lullaby. McGreggor é transgressora: Elbow aumenta o som e fala sobre morte e paranoias, ao vivo, soando num tom ameaçador. Entre surtos breves, gritos, sussurros & Bergmans, o álbum passa pelo clima sombrio de Buffalo Ghosts e Waving From Windows até chegar à última faixa, Gentle As, no maior estilo improviso à beira-mar.


Elbow – Facebook
Elbow – iTunes
Elbow – Official Website

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

NA FEIRA, COM NANCY

Fotos de Yan Kaue Brasil

Ontem, dia 8 de novembro, aconteceu a primeira edição do Partilhando Leituras, do Gerson Severo e do Paulo Bittencourt, na XV Feira do Livro.

Falou-se sobre A Espécie Fabuladora, sobre erros, sobre cisões. Rolou barulho, Res Cogitans e silêncios rebeldes.

Confere um pouco, pelos já clássicos olhos do Yan Kaue Brasil. 







Hoje, às 18h e às 20h, mais duas sessões do Partilhando.

Pra conferir mais fotos do YKB, corre - como de costume - pro Facebook do Sines.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A ROCKABILLY RAINHA DO DESERTO

Por Yan Kaue Brasil 

Rainha do rockabilly, Wanda Jackson iniciou sua carreira em meados dos anos 50. Em 2011, entretanto, Wanda reiniciou sua carreira com o álbum The Party Ain’t Over (2011), produzido pelo multitalento Jack White, que também produziu o último trabalho de Jackson: Business Reviewed (2012), cheio de viola, banzo & rock n’ roll de raiz. 

Wanda
Business Reviewed é uma compilação de covers que variam de clássicos do R&B à música contemporânea e que, além disso, tomam outros caminhos na voz de Wanda Jackson. O álbum abre com Tore Downsingle do disco com gosto de vitrola – que vem com uma pegada bad-girl-vingativa. The Graveyard Shift é dançante e contagia, diferente de Am I Even A Memory? – música que Jackson canta em dueto com Earle, que é triste, melancólica e reflexiva – sobretudo. 

O disco continua numa vibe interiorana, com a presença poderosa de Jackson, do violão estridente e da linha positiva das canções. Em Old Weakness (Coming on Strong), Wanda singulariza a canção por usar a sua inimitável “rosnada”: é uma agressividade aliada à personalidade da artista. A audição acaba com California Stars, canção do Wilco, em que Jackson diz, num tom sóbrio, “eu gostaria de colocar meus ossos cansados na cama das estrelas da Califórnia”. 



Wanda Jackson – iTunes
Wanda Jackson – Facebook
Wanda Jackson – Official Website

sábado, 27 de outubro de 2012

CARROS, PÚBIS E TALS: A REESTREIA

Fotos de Yan Kaue Brasil

Sines então eis que volta, numa tarde de sábado chuvosa, com alguma bizarrize & papos sobre próteses, simulacros, doenças, psis e um mundinho de criaturas que são tão tão queridas de todos nós.

Próxima atração será a Sessão Ken Loach, dia 10 de novembro, comentada por Cássio Brancaleone.

Enquanto dia 10 não chega, dá uma olhada no que rolou hoje, segundo os olhos e os óculos-prótese do Yan Kaue Brasil.

Cena de Crash

O professor Fábio Feltrin sobre Bataille, Derrida & Cronenberg

Plateia filosófica

Plateia perplexa (no centro, detalhe)


Para conferir mais fotos do Yan, corre no Facebook do Sines.



terça-feira, 16 de outubro de 2012

BANZO & CHORO (RÔ)

Por Yan Kaue Brasil 

Coexist (2012) & Put Your Back N 2 It (2012) são álbuns que, mesmo que sobre solos distantes, tendem a uma aproximação muito grande: dolorosos, minimalistas e, sobretudo, reflexivos. Seus autores, a banda inglesa The XX e o querido Mike Hadreas – o Perfume Genius – lançaram clipezinhos novos: Chained e Take Me Home, respectivamente. 


Lançado ontem, Chained vem no maior clima banzo, modesto, além-mar: a “beleza silenciosa” (PROZCZINSKI, 2012). Em Take Me Home, Perfum Genius explora um cenário supostamente agressivo – o da prostituição – em paralelo a uma ironia densa, performance e angústia.

Aos desorientados & ocupados, Sines repete.

Perfum Genius:




The XX:




Perfume Genius – iTunes

The XX – iTunes


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

SOBRE ORQUESTRAS E TEATROS

 Por Yan Kaue Brasil 

Amanda Palmer é desses interdiscursos bem densos: cabaré-punk-brechtiana – como considerava a integrante de sua ex-banda, The Dresden Dolls, e metade do seu ex-duo, Evelyn Evelyn. Palmer lança, agora, seu terceiro álbum solo, Theatre is Evil (2012), que foi escrito durante os quatro anos que o separam do primeiro, Who Killed Amanda Palmer (2008). Performática e, em tempo, agressiva, Palmer presenteia os seus fãs – que colaboraram com mais de US$ 1,2 milhões para a produção do disco – com esse álbum frondoso e, sobretudo, perspicaz.

Do mundo de Lynch, Amanda (Laura) Palmer
Após uma breve introdução que apresenta a sua banda, The Grand Theft Orchestra, Palmer joga o ouvinte em Smile (Pictures or it didn’t happen), canção nostálgica, grandiosa, com sintetizadores e orquestra, com vocais poderosos e euforias (mil). O single, The Killing Type, vem com uma pegada rock, em que Palmer demonstra todo seu talento cru e agressivo, tanto nas composições quanto na interpretação. Seguindo a linha rock-explosivo-de-garagem, em Do It With a Rockstar, Amanda canta: “Quando você poderia fazer isso com uma rockstar?”, sobre uma bateria nervosa. 

O synthpop que acontece em Smile se repete em Want It Back, e se mistura nos sintetizadores e vocais em coral de Grow Man Cry. Sob efeito de uma voz arrastada, melancólica, com piano, cordas & partituras, Trout Heart Replica é reflexiva e apropriada para os dias cinzas. Em seguida, acontece uma espécie de interlúdio, na instrumental A Grand Theft Intermission

Em Lost – e na sequência do disco – o piano toma o primeiro plano. Com uma bateria bem marcada, Lost é daquelas faixas empolgantes, de dançar & pular & (quase) rebolar. Nas cabisbaixas Bottom Feeder e em The Bed Song, o álbum toma um rumo “tocante”, para os de cotovelo ardente. Derrotados. Paixão derradeira. Em Massachusetts Avenue e Melody Dean, a guitarra e os sintetizadores voltam com tudo,  e levam à Berlin – que é épica. O álbum culmina na fulcral Olly Olly Oxen Free: resultado de que Amanda Fucking Palmer fez um dos trabalhos interessantes de 2012.



Amanda Palmer -  iTunes
Amanda Palmer - Facebook
Amanda Palmer - Official Website

E performática animação (2011) de No Surprises, do Thom Yorke, direto do OK Computer (1997), do meio do Radiohead:

 

sábado, 13 de outubro de 2012

GRITOS, SUSSUROS E DEDILHADOS


Por Yan Kaue Brasil

A canadense Claire Boucher lançou em fevereiro desse ano seu terceiro álbum de estúdio, Visions (2012), considerado pelo The New York Times como o melhor trabalho de Claire e um dos mais impressionantes álbuns do ano. Grimes – como Claire é conhecida – é uma criatura texturizada e grandiloquente – Sines gosta e, pós-greve, tem no cartaz. 

Grimes no ensaio para Drome Magazine
Visions é um álbum digressivo, que oscila entre uma doçura infantilizada e uma sensualidade abstrata. A faixa de abertura, Infinite Love Without Fulfillment (intro), é nebulosa. Com batidas ritmadas e uma infinita sobreposição de vozes (efeito que se repete durante todo o álbum), a faixa se distancia do que é apresentado posteriormente, no disco. O single Genesis vem ancorado em uma batida eletro-pop; o clipe – dirigido pela própria Claire – tem direito a japonismo e dancinhas, gritinhos e sussurros – além das bizarrices. Oblivion pode ser considerada uma faixa-complemento de Genesis: com sintetizadores em loop, a faixa é dançante & progressivamente experimental. 

Em Circumambient, Grimes canta: “O baby eu não posso dizer/ que tudo está bem” enquanto uma batida sequencial se mistura com os sintetizadores e com os efeitos de crepitação. Em Vowels = space and time e Be a body, Grimes abusa de sua voz aguda e, em tempos, infantilizada, sobretudo na segunda, que ecoa como um pedido de volta. Em Skin, a penúltima faixa do disco, os sentidos são maximizados: há sentimento lancinante. Nessa faixa, Grimes traz serenidade aliada à sua música robotizada: um quase-etéreo que leva o álbum a outra esfera - “And you can’t, and you can’t see the weight in the heart”.



Grimes – iTunes
Grimes – Facebook

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

QUEM TEM GATO, CAÇA COM POWER


Por Yan Kaue Brasil 

Os seis anos que separam o último álbum autoral de Chan Marshall, The Greatest (2006), e o seu último álbum, Sun (2012), serviram de base para que a moça, conhecida como Cat Power, amadurecesse novas ideias: Chan abusou nos sintetizadores, compôs belas letras e mudou o visual. O álbum, de fato, não parece ter sido feito para os fãs de longa data. Porém, não deixa de ser uma obra sólida e original. 


Sun é visível – ou audivelmente – mais otimista que os outros trabalhos de Chan e isso fica claro logo nas primeiras faixas do álbum: Cherokee, a faixa-título e Ruin. Em seu novo disco, Power desenvolve seus sentimentos de uma forma menos dramática e, sobretudo, com uma ideia de autossuficiência - afinal, ela produziu, escreveu e tocou todos os instrumentos do disco. Além disso, o novo trabalho se desloca de uma esfera instrumental e parte para uma linha onde os sons eletrônicos e as cargas de eco norteiam as suas composições, o que cria uma tensão permeada pela voz sutil de Cat Power. A multifacetada 3,6,9 e a melancólica Real Life abusam desse novo princípio compositivo; Manhattan, sob o tom delicado do piano, é brilhante e densa. 

Ao final do seu trabalho, Power abusa de um experimentalismo progressivo, que se estende por dez minutos em Nothin But Time, com a participação de Iggy Pop. Nessa faixa, ela diz: “Eu vejo você, garoto, você tem o peso em sua mente/ Vejo que você está apenas tentando sobreviver/ Mas o mundo está apenas começando/ Eu sei que esta vida parece sem fim”. Mais tarde, ela canta em êxtase: “Eu quero viver!”, denunciando a necessidade de liberdade, que é evidente em Sun.



Cat Power - Facebook
Cat Power - iTunes
Cat Power - Official Website





segunda-feira, 9 de julho de 2012

*SINÉTICOS & PÓS-TUDO

Por Yan Kaue Brasil


Pra lá de underground, o pessoal que passou pela Jayme Lago, no Festival de Bandas do Sinestésicos, coloriu, descoloriu & diversificou no visual pós-tudo. As madeixas, fakes ou não, foram salvas pelos olhares, lentes e afins.





Mais fotos, como sempre, lá no Facebook.


* Sinéticos é uma das variantes de "Sinestésicos" que se ouve por aí. 


sábado, 7 de julho de 2012

quarta-feira, 4 de julho de 2012

PONTO A PONTO: MACRAMÉ



Por Yan Kaue Brasil

Na vibe pra lá de indie-boa-pinta-call-your-girl-friend, a banda Macramé, formada há pouco tempo, concede a palavra ao Sines, que cutuca de todos os lados. Puxe seu tricô, traga as palavras cruzadas e vamos ao bate-papo.

Macramé: agora inteira

Sines: Como rola o som entre vocês em relação ao repertório & tal?
Macramé: É a “vibe” (risos). Na verdade todos aqui gostam de coisas parecidas, de estilos parecidos. Então é tranquilo.

Sines: Qual o panorama da banda em relação à música em Erechim e aos sons que são formados e valorizados aqui?
Macramé: Em Erechim as pessoas costumam valorizar músicas mais populares e que remetam à sua cultura e quando acontece algum evento mais underground sempre acontece de as mesmas pessoas participarem; as bandas que são formadas aqui normalmente seguem o mesmo padrão e quando tem alguma coisa nova, o pessoal não experimenta.

Sines: O que vocês acham de música alternativa, indie? Acham que o pessoal valoriza?
Macramé: Curtimos música indie, pois ele sempre oferece coisas novas e diferentes; é um gênero criativo. Porém, as pessoas não costumam valorizar esse gênero; elas costumam valorizar o que está na novela (risos).

Sines: Trocam música “boa” por música lucrativa? 
Macramé: Dinheiro é importante, né? Quem não gosta de dinheiro? (risos). O que acontece é que tem que ter uma música de trabalho, que vai levar o nome da banda; mas não é uma troca: tu vai colocar um Beirut na Capitu, ai tu baixa o álbum inteiro dos caras. É é uma coisa meio assim. Tem que fazer algo que leve o nome da banda para o pessoal conhecer o teu trabalho, mas é chato, por exemplo, Los Hermanos serem lembrados apenas por “Ana Julia”.

Sines: E o ego, rola uma hierarquia?
Macramé: Todos participam dos processos de produção das músicas e, além disso, a criação passa pelo "critério" de todos. É bem tranquilo.

Sines: Qual o público da banda? Procuram atingir um público específico?
Macramé: O público específico seria os amigos e pessoas próximas, além das pessoas que curtem o gênero de música que vamos tocar. 

Sines: A pivotante, esdrúxula & sem sentido: porque o nome da banda?
Macramé: Ah, não tem explicação (risos). Precisávamos de um nome, ai o Vicente foi comprar linha para fazer pulseiras e ligou pro Lucas dizendo o nome da banda: Macramé (que é uma técnica de tecer fios sem utilizar ferramentas).

O quarteto alternativo é formado por duas meninas & dois meninos: Tatiana (vocalita), Thais (tecladista), Lucas (guitarrista e programador) e Vicente (baixista e programador). Visivelmente influenciados pela música indie, a banda promete dar outros ares ao Festival.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

HARD & TRASH: RUPTTURA


                                                                                                        Por Leonardo de Carvalho Prozczinski
Foto de Yan Kaue Brasil

A recém-formada Banda RupTTura é uma das sete bandas a se apresentar no Terceiro Festival Intermitente de Bandas, promovido pelo Sines, no dia 7 de julho. Com início em janeiro desse ano, a banda tem forte influência do Sepultura, de onde também deriva o seu nome.


Buscando trazer maior originalidade, o grupo já possui sete composições próprias e planeja até o próximo ano lançar seu primeiro CD. Em suas letras, em português, a banda aborda temas como guerras e inferno. A RupTTura também traz músicas do Sepultura em seu repertório.

Apesar de ser uma banda nova, a RupTTura já fez shows fora de Erechim, chegando a tocar duas vezes em Santa Catarina, e aponta que a valorização do estilo é muito pequena na cidade, principalmente quando comparado à Santa Catarina.

A banda teve início com dois integrantes que já eram músicos e pretendiam tocar em um festival no início do ano. Assim, foram atrás dos demais componentes e, sete meses depois, mantêm a mesma formação e já tem um público relativamente grande, que prestigia seus ensaios.


RupTTura é: Kelly (vocal), Edison (guitarra), Michael (baixo) e Igor (bateria).


Rupttura – Facebook 



sexta-feira, 29 de junho de 2012

O RUGIDO DO DRAGÃO


Por Yan Kaue Brasil


Após três álbuns surpreendentes e seis anos sem dar notícias sobre um possível novo disco, Fiona Apple lança o expressivo e longínquo The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do (2012), que, de acordo com a NME, “agrega uma sensibilidade confessional com uma borda dramática”. Fiona, que hoje tem 34 anos, amadureceu uma ideia que vem trazendo desde os anos 1990 em seus álbuns densos, cheios de forma e de uma criatividade específica e singular.

Fiona

O primeiro single do álbum, Every Single Night, é a faixa de abertura do disco, onde Fiona expressa os seus sentimentos mais profundos, com tons agudos e graves, numa dualidade de quem-eu-sou & quem-eu-tento-não-ser. A música oscila entre um canto doce, de ninar, e um rugido grave, que estremece a faixa. Além disso, Apple se deixa levar por uma batida não óbvia – que se percebe desde a primeira faixa –, o que dá riqueza à sua obra. Em Regreat, outra faixa dilacerante do álbum, Apple usa a sua voz com nunca antes. É, literalmente, um berro de arrependimento, onde Fiona pede por paz e solidão.


Em The idler Wheel... há corpo nu e uma veracidade em que Fiona finalmente alcançou. É como se a sua alma virasse do avesso, para um registro que reflete e guarda os seus desejos & tristezas mais profundos.




Fiona Apple – iTunes
Fiona Apple – Facebook
Fiona Apple – Official Website




segunda-feira, 25 de junho de 2012

II BRECHÓ DE VARAL (OU : JAPONISMOS?)

E finalmente, divulgamos o auspicioso & trans(cendente) II Brechó de Varal, que rola no III Festival de Bandas, dia 7 de julho, no Sines.

É luxo, luxúria & abuso.

Leva o seu decote mais profundo e confere, pois nem só de black metal se faz uma vida rocker.


sexta-feira, 15 de junho de 2012

MELANCOLIA PERFUMADA

Por Yan Kaue Brasil 

Desde 2010, Mike Hadreas já é visto por olhos bem refinados: Learning (2010) foi amado, elogiado e fortemente lembrado por ter visíveis referências de Sufjan Stevens. Desde então, Mike, o Perfume Genius, deixou de ser visto apenas como aprendiz de Stevens, e passou a ser uma espécie de mentor de uma obra densa, que explora temas polêmicos e viscerais: Put Your Back N 2 It (2012) , seu último álbum, é uma exposição de suas angústias e dores psíquicas, sob um tom melancólico e, oras, sarcástico. 


Genius

A primeira faixa do álbum, Awol Marine, é nostálgica: o piano lento e choroso leva a música a um final epifânico, que logo se entrelaça com a próxima faixa, Normal Song, o que as faz parecer uma só música. Isso se repete no álbum, tornando-o fluido entre o vai-e-vem das faixas. Take me Home, faixa que traz, além do piano, uma percussão fria e sombria, “explora a prostituição no contexto da necessidade de ser amado”, explica a Pitchfork

Mike-Perfume-Genius, tanto no primeiro quanto no seu novo disco, usa a temática sexual como referência em suas composições. A homossexualidade permeia as 12 faixas de seu álbum, que sempre transcorrem com um fundo intimista e de caráter confessional. Em Hood, single, “Hadreas pondera sobre uma sociedade em que ele pode segurar a mão de seu amante sem se sentir constrangido”, explica a NME. O clipe é irônico: Arpad Miklos, ator pornô, o maquia enquanto ele divaga sobre o medo de não conseguir ser o que aparenta por muito tempo. 

Em Put Your Back..., Mike impressiona por transformar as suas dores pessoais e íntimas em algo tão singular e não convencional. O seu trabalho é simples, com letras curtas. Porém, cheio de honestidade: é isso que dá o brilhantismo ao Perfume Genius.


Perfume Genius – iTunes
Perfume Genius – Facebook
Perfume Genius – Official Website





E o vídeo-bônus...

TODAS AS CORES

O Diálogos, do Sinestésicos, fez sua terceira aparição neste 2012: foi quarta-feira, no evento Os movimentos negros em regiões de colonização europeia.

Para além das cores e da etnia, a conversa teve mediação do professor Gerson Fraga (coordenador do Diálogos) e a participação do professor Daniel de Bem, de Monique Rosset (do Movimento Étnico-Cultural dos Negros de Erechim - MENE) e de Rodrigo Alves Pereira, coordenador do Arquivo Histórico Municipal.

Yan Kaue Brasil esteve por lá e registrou as heroicas figuras da discussão.

Daniel

Gerson

Monique

Rodrigo



segunda-feira, 11 de junho de 2012

A CURA?

Por Yan Kaue Brasil 

Johanna e Klara Söderberg – criadoras do First Aid Kit – que saíram do cover de Fleet Foxes, passaram pelas rádios suecas e, hoje, estão nas mãos de Mike Mogis (produtor de Bright Eyes e Lewis Jenny ), personificam a sua veia folk no seu último álbum, The Lion’s Roar (2012), carregado com um toque caseiro, cheio de violinos, banjos e palmas. 


As irmãs do First

Em The Lion’s ..., o First Aid Kit trouxe uma visão mais adulta e sóbria em relação ao primeiro álbum, o The Big Black & The Blue (2010). Envolto pelo country norte-americano, o duo explora de temas místicos a temas românticos, sempre com doses reguladas de melancolia. Emmylou, primeiro single do álbum, é uma canção romântica que faz referência a duas das mais famosas duplas de country da história: Emmylou Harris & Gram Parsons e June Carter & Johnny Cash, referências na música da dupla. 

Algo que é bem visível no trabalho das meninas é a linha musical que se assemelha da faixa de abertura, The Lion’s Roar, à divertida faixa de encerramento, King Of The World, seja pela coerência compositiva ou pelas vozes hipnóticas, que transformam o trabalho das suecas em verdadeiro & admirável.




First Aid Kit – iTunes
First Aid Kit – Facebook
First Aid Kit – Official Website




domingo, 27 de maio de 2012

FESTIVAL IMPRESSIONISTA DE BANDAS

O II Festival foi visto também pelos olhos do Yan Kaue Brasil.

Confere algumas fotos aqui e as outras no Facebook do Sines.

Beaux