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domingo, 11 de novembro de 2012

AMÉRICA PÓS-SPRINGSTEEN

Por Mateus Moreno 

Em termos de pós-punk, há pouco apareceu o novo trabalho de Titus Andronicus, Local Business (2012), que não se poupou de distorções cruas e vocais desfigurados, que oscilam entre os agudos e os graves que marcam sua música e garantem os aplausos da crítica. Vindo de um álbum que citava a Guerra Civil Americana e o patriotismo de Abraham Lincoln, com músicas que passavam de sete minutos, na nova obra apela para um formato mais simples, porém ainda narrativo. 

Sem as garotas, o Titus em 2012

Local Business não é menos ambicioso que seu antecessor: as letras abordam temas como o ridículo, a rotina, e a atualidade, um tema onipresente na obra. A ênfase recai sobre os meios de comunicação, como o Twitter, e sobre a cultura dita indie/hipster - e é visível o sarcasmo e o tom cínico nos temas abordados 

Uma das músicas de embalo é I Am the Electric Man, que lembra parte da sonoridade de Rubber Soul (1965), dos Beatles, em plena transição de conceitos musicais e de vida. Ecce Homo é uma das músicas que trata principalmente do niilismo de Nietzsche, complementando o clímax temático da obra. Os elementos da música irlandesa em In a Big City - que não há muito tempo foi convertida em clipe - são afirmativos, paradoxalmente, da música estadunidense. A influência de Bruce Springsteen e Ramones é frequente, mas não deixa tapar a originalidade de Titus. 

Depois de um álbum repleto de temáticas, Local Business é, ainda, um espaço de tranquilidade do conjunto depois de muito trabalho e transtornos. Titus Andronicus entra numa "zona de conforto" no melhor estilo do contemporâneo, como já fizeram grupos como o Passion Pit - ver texto do Sr. Prozczinski, neste blog - e que tem se tornado lugar-comum desses dias nem tão brilhantes.



Titus Andronicus- iTunes
Titus Andronicus - Facebook

segunda-feira, 21 de maio de 2012

SEM RUMO (OU QUASE): NO DRIVER

Por Leonardo de Carvalho Prozczinski  (texto) e Yan Kaue Brasil (foto)


No Driver:  traduzindo literalmente, significa “sem motorista”. Mas não é bem por aí. O nome da banda surgiu ao acaso no primeiro Festival de Bandas promovido pelo Sinestésicos. A banda precisava de um nome para se inscrever no festival e, até então, a única coisa decidida era que precisava ser “em gringo” e simbolizar uma banda sem rumo. Foi aí que a namorada de um ex-integrante deu a ideia: No Driver


Desgovernados (No Driver)
A banda faz um som pesado tendo como influência alguns dinossauros do rock, como Sex Pistols, Motörhead e Deep Purple, fazendo uma mescla de Punk com Hard Rock. O mesmo acontece com suas composições, onde o mais importante, diz Juliano, o vocalista, é fazer “rock de verdade”, buscando maximizar o repertório. 

Em relação ao cenário da música em Erechim, Cristian, o baixista, diz que hoje as bandas “têm que ter coragem e meter a cara”. Para ele, tem muita qualidade escondida, com medo de fazer, aparecer e ser julgado. Já para Bernardo, guitarrista solo, outro fator que impede a evolução musical na cidade é a falta de espaço e incentivo para quem está começando. 

Cristian também diz ser fã de música folk, e fala sobre a falta de atrações “alternativas” na região, o que acaba causando desconhecimento da maioria pelo estilo. O baixista também aponta que festivais de música locais muitas vezes são mal interpretados, e bandas que não seguem o rock à risca acabam sendo menosprezadas por seguirem outros estilos. 

Ao ser questionado sobre o objetivo da banda, Juliano fala que eles querem apenas “fazer música boa” de se curtir, deixando o lucro em segundo plano. A ideia de “não se vender” é forte no grupo, que bate o pé e diz que pretende manter esse estilo (punk+hard rock) até o fim. 

No Driver é: Juliano Camilo Santin (Pig, vocal), Marcos Roberto Zin (guitarra), Bernardo Dalla Rosa (guitarra) , Cristian Luis Mingotti (baixo) e Matheus Guilherme Angonese (bateria). Pra conhecer os caras e seu som, é só aparecer na Jayme Lago, às 14h, no II Festival Intermitente de Bandas do Sines.



No Driver - Blog