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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

PLAYLIST: DELOAN (EU)

Por Deloan Mattos Perini 

Essa semana o Sines chuta o balde e libera o espaço do Top de 2012 para os autores do blog. Aproveitamos o espaço, é claro, para compartilhar nossos refinamentos musicais (ou não). Já fiz as minhas indicações de álbuns, confiram ai: 

Torche - Harmonicraft:  a banda Torche, formada em 2004, lança seu terceiro disco, Harmonicraft, uma mistura de acordes pesados com músicas curtas e diretas, açúcar e punk rock da melhor qualidade; a prova disto são as faixas Kicking e Kiss me Dudley, vale muito a pena.

Japandroids - Celebration Rock: Celebration Rock foi lançado em junho desse ano e abraçado pela crítica. O álbum transmite muita energia e rock´n roll em estado bruto. O som da dupla impressiona pela qualidade e falta de sofisticação, inspiração geral para os músicos. Comecem ouvindo The Nigths of Wine and Roses.



The Hives - Lex Hives: o grupo sueco lança seu quinto disco. Um álbum bastante agitado com muito peso no baixo, nos berros e nas batidas, típico do Hives. Destaque para as músicas Go Right Ahead, que é a música de trabalho desse disco, e Take Back The Toys, que lembra os grandes sucessos da banda. 

Train - California 37 : esse é o sexto álbum de estúdio da banda, sonoramente parecido com o trabalho anterior, Save Me San Francisco. California 37 é um disco bastante animado, ideal para se ouvir no dia a dia, principalmente This’ll be my year e 50 ways to say goodbye

Soudgarden - King Animal: a banda norte americana teve sua formação em 1984, encerrou seus trabalhos em 1997 e retornou em 2010. Matt Cameron (Pearl Jam) assumiu a bateria e King Animal foi lançado em 2012. Esse é o sexto álbum da banda, apresenta como primeiro single Been Away Too Long, que trabalha a influência da antiga banda com o atual grunge/hard rock, podendo ser considerada (por mim) uma das melhores músicas do ano. 

The Offspring - Days Go By: esse álbum soa mais pop que o convencional, porém o Offspring ainda trilha basicamente a estrada do punk rock, e isso fica evidente nas faixas Secrets Form The Underground e Hurting As One .

Jack White - Blunderbuss: esse é o primeiro trabalho solo de Jack White. Blunderbuss é um álbum sólido com blues, folk e rock. Para aqueles que, assim como eu, admiram o trabalho do guitarrista desde o White Stripes (sua antiga banda). indico as faixas Sixteen Saltines e I´m Shakin.


Best Coast - The Only Place: pra quebrar com a “barulheira” e acalmar os ouvidos nada melhor que a suavidade de uma voz feminina como a da vocalista Bethany Cosentino do Best Coast. Esse álbum é perfeito para tranquilizar o espírito e até mesmo dar aquele cochilo da tarde (típico dos estudantes de arquitetura). Melhores do disco: The Only Place (disparado) e Better Girl

Bidê ou Balde - Eles não são assim. E assim por diante. : para não deixar de fora, o rock nacional é representado pela banda gaúcha que retorna após oito anos. O novo álbum lançado em novembro confirma que a banda continua a mesma, apesar de as letras serem aparentemente mais sérias como no single +Q1 Amigo

Green Day - Uno: a banda americana de pop punk lança a trilogia ¡Uno!, ¡Dos! e ¡Tré!, que traz os discos separados por estilos. Caracteriza Uno como um retorno às raízes, mostrando um pouco da história do grupo. Apresenta respectivamente como primeira e sétima faixas, Nuclear Family e Loss of Control, que compõem um som agitado, remetendo ao estilo original da banda. 



domingo, 18 de novembro de 2012

SILENCIOSA MONOTONIA

Por Deloan Mattos Perini 

Markus Schleinzer iniciou sua carreira como diretor abordando um tema bastante polêmico, a pedofilia. O filme austríaco, Michael (2011), relata a vida do personagem que dá nome ao filme. O longa foi inspirado em histórias reais ocorridas na Áustria: a de Josef Fritzl (1984-2008), em que o pai violentou a filha durante 31 anos e teve sete filhos com ela; e o caso de Natasha Kampush (1998-2006), que foi sequestrada e mantida presa por cerca de oito anos, também violentada por seu raptor. 

Cena de Michael
Schleinzer faz um filme instigante, expondo o dia a dia de Michael e sua monotonia incomum. Trabalhador de classe média, corretor de seguros, o personagem divide sua rotina entre as atividades na empresa e seu relacionamento com um menino de 10 anos, que mantém aprisionado em um lugar secreto de sua casa, abusando física, moral e sexualmente. Porém, em outra parte do tempo, o relacionamento é próximo a um laço entre pai e filho: eles montam quebra-cabeças, veem televisão, decoram a árvore de natal, vão ao zoológico e fazem juntos as atividades domésticas. Na cena onde trocam presentes de natal, fica explícita a falta de afetividade, quando o menino entrega um desenho onde os dois são retratados distantes. 

A única cena de sexo explícito ocorre entre Michael e uma mulher que conheceu durante sua viagem, na estação de esqui. O olhar do diretor nega a imagem da violência sexual, que fica apenas na periferia do filme. Em nenhum momento as cenas de abuso aparecem, porém estão claramente subentendidas. Os distúrbios de personalidade, a vulgaridade aparente do pedófilo e um crime, mantido em segredo e repetido de forma “bem sucedida”, tornam a história assustadora. 

A partir da perspectiva do pedófilo, o diretor cria uma obra autêntica, que se desenrola lentamente através de cenas mudas, sem trilhas, onde a ausência de diálogos não interfere na qualidade e na compreensão da história. Criando um grande contraste com o drama, a única música presente no filme é Sunny, de Bobby Hebb. O tema, bastante animado, aparece somente em uma cena em que Michael dirige seu carro, e depois nos créditos finais. Vendo o protagonista cantando feliz em seu carro, a faixa dá a ideia de casualidade e ausência de culpa: “[...] Dia ensolarado, você sorriu pra mim e realmente aliviou a dor; os dias de escuridão se foram e os dias claros estão aqui [...].” 

O longa deixa o espectador inquieto pela frieza com a qual trabalha o drama. Ao mesmo tempo, não faz julgamento de Michael, apenas encara como um “fato da vida”. Michael, indicado no ano passado ao Prêmio do Cinema Europeu e vencedor do Prêmio Max Ophüls de melhor filme e melhor ator ao protagonista Michael Fuith, abre nossa consciência para uma realidade que não nos é comum, despertando nossa curiosidade para esse filme excepcional.



Michael - IMDb


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

DA SÉRIE: PLAYLIST - NAUÍRA ZANIN


Por Deloan Mattos Perini 

Dando continuidade ao incrível mundo das playlists dentro da UFFS, o Sines apresenta um Top 5 - Filmes da minha vida. Para essa estreia conversamos com a arquiteta, urbanista e professora Nauíra Zanin, que fez a seguinte lista: 

- Uma simples formalidade (Una pura formalità, 1994): filme francês, dirigido por Giuseppe Tornatore. Segundo Nauíra, deve ser assistido sem saber do que se trata. Logo, não estragaremos a surpresa.




- Bicho de Sete Cabeças (2001): o longa foi baseado no livro Canto dos Malditos, de Austregésilo Carrano Bueno. Um drama nacional, sob direção de Laís Bodanzky, conta, em seu elenco, com Rodrigo Santoro, Cássia Kiss, Caco Ciocler e Othon Bastos. O destaque aqui vai para a trilha sonora, composta por André Abujamra, misturando Zé Ramalho, Zeca Baleiro, os cantores Décio Rocha, Arnaldo Antunes, Geraldo Azevedo a banda de Rap Zona Proibida e o punk rock da Infierno. Esse é o tipo de filme que fica eternamente relacionado à sua trilha, segundo nossa entrevistada. 


- O Fabuloso Destino de Amelie Poulain (Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, 2001): marcou pessoalmente a vida da arquiteta. O filme francês, demonstra em sua trama como pequenas atitudes podem mudar destinos. Dirigido por Jean Pierre Jeunet, o longa foi indicado ao Globo de Ouro na categoria melhor filme estrangeiro e premiado no Festival Internacional de Edimburgo e no Festival de Cinema de Toronto. 



- Billy Elliot (2000): foi o primeiro filme dirigido por Stephen Daldry e conta a história de um menino de 11 anos que supera os preconceitos da sociedade local ao trocar o boxe pelo balé. O drama musical (muito animado) proporciona toda a energia e animação representada pela dança. Segundo a professora, “esse filme acerta em cheio”. 

Cena de Billy Elliot

Na dúvida sobre qual o último nome a ser indicado para essa lista, nossa entrevistada sugere três filmes do cinema alemão. Os exemplares apresentam temas polêmicos envolvendo juventude, injustiças sociais e ativismo: Adeus, Lênin! (Goodbye, Lenin! 2003),  O que fazer em caso de incêndio (Was tun, wenn's brennt? 2001) e Os Educadores (Edukators, 2004).

Edukators

domingo, 21 de outubro de 2012

DAMAS PRIMEIRO

Por Deloan Mattos Perini 

O cineasta dinamarquês Lars Von Trier é conhecido por sua consideração (ou não) pela figura feminina. Seus filmes apresentam papeis principais muito intensos, gentilmente, destinado às mulheres. As atrizes que encaram esse desafio assumem as mais controversas personalidades e são exigidas ao máximo pelo diretor. Em Dançando no Escuro (Dancer in the Dark, 2000), a cantora islandesa Björk vivenciou essa forte experiência e ao final foi reconhecida com o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes de 2000. 

Bjök e Catherine Deneuve, em Dancer in the Dark

No último de seus filmes, Melancolia (Melanchollia, 2011), Von Trier retorna com as protagonistas - dessa vez, Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg. A história do filme tem seu desfecho quando um planeta chamado Melancolia surge misteriosamente no céu durante a noite e entra em rota de colisão com a Terra, ameaçando destruir todo planeta. Ao mesmo tempo, Justine (Kirsten Dunst) está pronta para se casar com Michael (Alexander Skarsgard). Sua irmã, Claire (Charlotte Gainsbourg) e o marido, John (Kiefer Sutherland), ajudam-na a organizar a grande festa de casamento. O filme é visualmente muito elaborado e inspirado na música erudita (Beethoven, Nona Sinfonia). Através das cenas, o diretor demonstra a sua visão sobre a vida e as relações humanas. 

Dunst e Gainsbourg, nos extremos, em Melancolia

A atriz francesa Charlotte Gainsbourg já realizou outros trabalhos com o diretor. Atuando em Anticristo (Antichrist, 2009) recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes em 2009. No mais recente trabalho de Von Trier, Charlotte é novamente a protagonista: trata-se de A Ninfomaníaca (Nymphomaniac), que terá seu lançamento em 2013. Von Trier pretende editar o filme em duas versões, uma com cenas de sexo explícito para circular em festivais e a outra mais leve para o lançamento comercial. Kirsten Dunst também estará no elenco, Nicole Kidman já desistiu (não topou as cenas de sexo, mas já foi estrela de Trier em Dogville,de 2003). O ano de 2013 está aí e, pelos rumores, vale a pena esperar. 

Lars Von Trier - IMDb
Selma Songs - Soundtrack
Melancolia - Site Oficial

sábado, 6 de outubro de 2012

CLÁSSICO NO ESPAÇO


Por Deloan Mattos Perini 

Livres da gravidade terrestre, o natural e o sintético, habilmente misturados, compõem a trilha sonora do novo filme de Ridley Scott, Prometheus (2012). No filme, o diretor volta ao mundo de Alien (1979) criando um épico de ficção científica onde a música transmite as mais diversas sensações e conduz o público aos confins de um dos lugares mais perigosos do universo. 

Cena de Prometheus

O compositor alemão Marc Streitenfeld, que já trabalhou com Ridley em filmes anteriores como A Good Year (2006), American Gangster (2007) e Robin Hood (2010), foi também o responsável pela trilha sonora de Prometheus, exceto por duas faixas complementares feitas por Harry Gregson Williams. Em sua infância, Marc teve suas primeiras influências em bandas inglesas de blues e rock e também em clássicos de Beethoven e Bach. 

A música erudita presente em Prometheus ganha um caráter bio mecânico, através dos sintetizadores que deformam os elementos da orquestra de tal maneira que às vezes se torna difícil distinguir um instrumento físico de um eletrônico. Esses efeitos criam uma atmosfera “alienígena”, que aproxima as pessoas do contexto cronológico da ficção (ano 2093), e geram um ambiente sonoro frequentemente desconfortável, estimulando diversas sensações, como por exemplo, na faixa A Planet, que provoca um ar de mistério e perigo, ou em Weyland, que carrega uma atmosfera sombria e inquietante. A música também tem o papel de sugerir determinados perfis aos personagens do filme. No caso específico de David, o esteta Ridley resgatou a música de Chopin para caracterizar o estilo único do personagem. 

Prometheus é o resultado de mais um bom trabalho entre Ridley Scott e Marc Streitenfeld. A cooperação entre roteiro e trilha sonora garante ao público uma experiência surpreendente. 


Prometheus - iTunes

Prometheus - IMDb


domingo, 30 de setembro de 2012

MÚSICA, CINEMA E POUCAS PALAVRAS


Por Deloan Mattos Perini 

A ex-atriz, roteirista e cineasta novaiorquina Sofia Coppola iniciou sua carreira no cinema com apenas alguns meses de idade, atuando em O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972), clássico de seu pai. Mesmo se envolvendo precocemente com as câmeras, nunca deixou de lado seu amor pela música, levando essa relação para dentro de seus filmes através das trilhas sonoras.


Coppola estreou como diretora em As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides, 1999). Foi vencedora do Oscar e do Globo de Ouro com Encontros e Desencontros (Lost in Translation, 2003) e a primeira mulher americana a ganhar o Leão de Ouro no Festival de Veneza com o filme Um Lugar Qualquer (Somewhere, 2010), que contou com faixas da banda francesa Phoenix em sua trilha sonora. A cineasta, casada com o vocalista da banda, Thomas Mars, sempre gostou das músicas Love Like a Sunset Part I e Love Like a Sunset Part II e solicitou à banda que fizesse músicas semelhantes para o filme. A trilha ainda conta com Foo Fighters, The Police, T. Rex, Kiss e Julian Casablancas, do Strokes. 

Das colaborações nas trilhas de Coppola, também a dupla francesa Air teve seu espaço. Formado em 1995, o Air traz influência da música eletrônica, sintetizadores dos anos 1970 e rock psicodélico. Em as As Virgens Suicidas, Nicolas Godin e Jean Benoit Buncket (Air) compuseram toda trilha sonora original, incluindo Playground Love, música tema do filme. Além desse, tiveram participação em Maria Antonieta (Marie Antoinette, 2006) com a música Il Secondo Giorno, e, ao lado do baterista Brian Reitzell, incluíram uma faixa original intitulada Alone in Kyoto na trilha de Encontros e Desencontros

Para Sofia Coppola, música e cinema andam de mãos dadas. Suas trilhas sonoras e bandas alternativas criam uma divertida desordem cronológica: As Virgens Suicidas, que acontece nos anos setenta, é composta basicamente do ambient (70') do Air; já em Maria Antonieta, mistura-se o contexto do século XVIII com rock alternativo - destaque-se I want candy, clássico da década de sessenta em versão  turbinada pelo Bow Wow Wow e usada por Coppola. 

Em entrevista, a moça deslinda o gosto fílmico musical: “Eu gosto de filmes quando eles são sinceros, gosto de tomar o seu tempo sinuoso com a música. Há muito que não é dito em um olhar [...] eu não estou interessada em um monte de diálogo.”

Primeiro, Air:



Depois, trecho de I want candy, direto de Antoinette:



Pra fechar, Coppola dirige clipe do White Stripes:




Sofia Coppola - IMDb
Air - iTunes
Phoenix - iTunes

sábado, 22 de setembro de 2012

O ROCK E A GAROTA TATUADA

Por Deloan Mattos Perini 

Millennium: Os Homens que não amavam as mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo, 2011), filme baseado no romance sueco Män som hatar Kvinnor do escritor e jornalista Stieg Larsson, conta a história do jornalista Mikael Blomqvist, que investiga o assassinato não solucionado de uma garota ocorrido há 40 anos. Para alcançar esse objetivo, ele recebe a ajuda da tatuada hacker Lisbeth Salander. 

A adaptação norte-americana foi dirigida por David Fincher, cineasta conhecido também por seu trabalho em O clube da luta (Fight Club, 1999), O curioso caso de Beijamin Button (The Curious Case of Beijamin Button, 2008) e A Rede Social (The Social Network, 2010). Além do cinema, Fincher produziu comerciais de TV e videoclipes de Billy Idol, The Outfield, Sting, Roy Orbison, Madonna, Aerosmith, The Rolling Stones, Michael Jackson, entre outros. 

O álbum da trilha sonora, The Girl with the Dragon Tattoo, com quase três horas de duração, foi lançado em dezembro de 2011. Com exceção das faixas Is Your Love Strong Enough do How to Destroy Angels e Immigrant Song interpretada por Karen O, o álbum foi composto, interpretado e produzido por Trent Reznor e Atticus Ross, dupla vencedora do Oscar de Melhor Trilha Sonora Original por A Rede Social

O destaque do álbum é mesmo Immigrant Song, originalmente escrita por Jimmy Page e Robert Plant do Led Zeppelin, que ganha uma nova versão na voz distorcida de Karen O, vocalista do Yeah Yeah Yeahs, combinando batidas industriais e instrumentos eletrônicos. Nessa versão, Reznor prezou por manter a qualidade da faixa original, proporcionando uma nova experiência musical sem esquecer esse clássico do Zeppelin.

Vamos com a sequência de abertura, em que os créditos aparecem ao som de Karen O.

 

The Girl... : iTunes
The Girl... : IMDb

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O EXCÊNTRICO E SUBAQUÁTICO ROCK INGLÊS

Por Deloan Mattos Perini


Um dos nomes mais admirados do novo cinema americano, o filósofo e cineasta Wes Anderson confere às suas obras uma estética própria, criando assim um universo cinematográfico fascinante e singular. Produtor, ator, diretor e roteirista, produziu desde curtas e longas metragens até os conhecidos filmes Os Excêntricos Tenenbaums (The Royal Tenenbaums, 2001), que foi indicado ao Oscar de melhor roteiro original - na parceria com o ator Owen Wilson; A Vida Marinha com Steve Zissou (The Life Aquatic with Steve Zissou, 2004); O Fantástico Sr. Raposo (Fantastic Mr. Fox, 2009) e seu último trabalho, Moonrise Kingdom (2012), que inaugurou a 65º edição do Festival de Cannes.

Anderson é conhecido também por seu envolvimento em toda composição do filme, com atenção especial para as trilhas sonoras (normalmente irônicas). O cineasta apresenta uma estética similar em seus filmes: cinematografia metódica (uso de cores primárias); miscigenação social entre seus personagens; combinação entre humor seco e personagens comoventes, proporcionando diferentes interpretações de uma mesma cena. Em suas obras, a característica trilha sonora é representada pelo estilo popular e o rock (em especial o rock clássico britânico).


Wes

No filme Os Excêntricos Tenenbaums, a trilha sonora, repleta de rock dos anos 60’ a 90’, traz a música original de Mark Mothersbaugh e também, antiguidades como Clash, Ramones, Bob Dylan, Nick Drake, Velvet Underground, Nico e outros. As faixas não fariam sentido sem o contexto das cenas produzidas por Anderson e sua edição - a variedade de cortes e o roteiro afiado resultam em uma composição harmônica de música e cinema.

Algo semelhante acontece no longa A Vida Marinha com Steve Zissou. A trilha sonora escolhida por Anderson conta com várias faixas de David Bowie (como Rebel Rebel, Starman, Rock & Roll Suicide, Queen Bitch e Life on Mars), interpretadas na voz de Seu Jorge, em português, estilo bossa nova. O convite de Anderson para o brasileiro surgiu após seu trabalho em Cidade de Deus, que garantiu um álbum solo de sua empreitada com Anderson/Bowie. Além das canções de Bowie, a trilha sonora conta com The Stooges (Search And Destroy), Devo (Gut Feeling), The Zombies (Way I Feel Inside), Scott Walker (30 Century Man), entre outros.

Diferente da maioria de seus filmes, em maio desse ano, o cineasta lançou Moonrise Kingdom (2012). Na trilha sonora, recentemente divulgada, destacam-se as músicas clássicas com a participação da Filarmônica de Nova York, Leonard Berstein, Hank Williams e Françoise Hardy.

Seu Jorge - Bowie para Wes Anderson:




E Bowie, o arquivo:



Wes Anderson - IMDb
Moonrise Kingdom - iTunes

terça-feira, 26 de junho de 2012

FACES DE UM CAUBÓI SOLITÁRIO

Por Deloan  Mattos Perini


O filme inspirado na vida do cantor e compositor americano Bob Dylan, Não estou lá (I´m not there), foi lançado em 2007, dirigido por Todd Haynes. O cantor viveu em constante transformação, musical, física e psicológica, sempre refletindo os fenômenos sociais e culturais, principalmente os da década de 60. No filme, as várias facetas de Dylan são representadas por seis diferentes atores: Cate Blanchett, Marcus Carl, Richard Gere, Heath Ledger, Ben Whishaw e Cristian Bale.

Uma dessas fases é a conhecida como "acústica" de Dylan, que é representada pelo ator Cristian Bale, que interpreta Jack Rollins nos álbuns Freewheelin Bob Dylan e The Times They Are Changin e John Pastor no período em que Dylan “nasce de novo” e grava Slow Train Coming e Saved.



A trilha sonora reúne grandes nomes da música estadunidense e inglesa, veteranos como Richie Havens e Ramblin' Jack Elliot até The Black Keys, Calexico e Charlotte Gainsbourg - além da própria banda de Dylan: Tony Garnier (baixo), Smokey Hormel (guitarrista) e John Medeski (tecladista), fazendo versões de All Along The Watchtower com Eddie Vedder, Ballad Of A Thin Man, com Stephen Malkmus e também participação de músicos do Sonic Youth.




A película teve grande aceitação mundial e se consagrou em várias listas - The Village Voice, Entertainment Weekly, Salon e The Boston Globe - como um dos dez melhores filmes de 2007. Destaque especial para a atuação de Cate Blanchett, premiada, entre outros, no Festival de Veneza e ganhadora do Globo de Ouro como melhor atriz coadjuvante.

Não estou lá é uma chamada irrecusável para fãs de Bob Dylan e um convite aos que querem conhecer um pouco mais sobre esse caubói solitário, "profeta do folk", roqueiro e popstar da música mundial.


domingo, 3 de junho de 2012

VIÚVA (NEM TÃO) NEGRA

Por Deloan Mattos Perini 

A atriz americana, Scarlett Johansson, consagrada recentemente como a sensual “Viúva Negra” no filme Os Vingadores (The Avengers, 2012), gravou, em 2008,  o álbum Anywhere I Lay My Head - que teve até participaçção do Bowie - , iniciando seu trabalho (paralelo) como cantora. Nesse disco, Scarlett pretendia apenas se firmar como intérprete musical realizando um tributo a Tom Waits. Como ela diz no texto de divulgação do disco: "Não estou tentando provar nada com esse álbum, jamais poderia personificar Tom Waits, apenas adoro a música dele". Já em 2009, a carreira musical de Scarlett avançou para um novo patamar com o álbum Break Up - um disco, como diriam pelo Sines, "lindamente indie".

Pete & Scarlett

Break Up, gravado em parceria com o cantor e compositor americano Pete Yorn, foi inspirado nas gravações de Serge Gainsbourg com Brigitte Bardot em 1960. Pete idealizou o projeto e entrou em contato com a atriz, que, segundo o jornal USA Today, gravou seus vocais em apenas duas tardes. O álbum conta com nove faixas que transitam entre o folk-pop de Relator, o ritmo calmo de Someday, e vai até a agitada balada de Blackie’s Dead. 

Break Up é uma prova de que o dueto Pete e Scarlett realmente deu certo. A atriz aproveita a liberdade musical proporcionada por Pete para reproduzir na música todo o seu talento do cinema. O resultado é um álbum de ritmo variado e muito, muito agradável musicalmente.



Scarlett Johansson  &  Pete Yorn - iTunes
Scarlett Johansson  &  Pete Yorn  - MySpace
Scarlett Johansson  - IMDb

quarta-feira, 23 de maio de 2012

QUIZ(S)IIINES - PROJETO PARALELO

Por Deloan Mattos Perini 


No clima musical do Instituto Musical Arts, em Erechim, o Sines entrevistou a Banda Projeto Paralelo. Em uma conversa bastante descontraída, embalada por viradas de bateria ao fundo, a banda formada por Felipe Rios (vocalista), Rodolfo Kunze (guitarrista), Cristian Scopel (baixista) e Matheus Agnonese (baterista) falou um pouco sobre o projeto ainda recente, além de outros temas referentes à musica: 

Projeto Paralelo


Sines: Como rola o som entre vocês (repertório, composição, interpretação...)? 

P.P: O grupo possui fortes influências do rock nacional  dos 90´s e rock gaúcho como Cachorro Grande, TNT e Ultraje a Rigor, e isso reflete em nosso repertório. Os ensaios costumam ser descontraídos, divertidos e ecléticos, sem deixar de lado o profissionalismo com o qual a banda procura encarar essa atividade. 


Sines: Qual o panorama da banda em relação à Erechim e aos sons que são formados aqui? 

P.P: A banda acredita, apesar das atuais dificuldades, no crescimento da cena local. Embora o público erechinense ainda "se cative mais" por outros estilos, os bares de rock local têm representado bem o movimento, mantendo sempre um bom número de público. 


Sines: Trocam música “boa” por música lucrativa? 

P.P: As músicas próprias, que serão gravadas em breve, podem ser consideradas comerciais, porém, respeitam o estilo do grupo, rock. O músico deve se sentir satisfeito com o seu trabalho, independente do dinheiro - essa é a opinião de Felipe Rios. 


Sines: E o ego? 

P.P: A banda se coloca muito tranquila nesse critério, encara com maturidade e profissionalismo quaisquer divergências presentes em diferentes situações (como ensaios, por exemplo). 


Sines: Qual o público da banda? Procuram atingir um público específico? 

P.P: Não existe grande preocupação quanto a isso. O som deve agradar a banda e posteriormente encontrar seu público específico, atraindo aqueles que se identifiquem com o som. 


Sines: A Clássica: por que o nome da banda? 

P.P: O nome se justifica porque a banda surgiu de um projeto paralelo do vocalista (Felipe). Criamos o nome na sala de aula, em meio a opções como: Pó de Reboco e Xerecas Raivosas. 


Ainda durante a entrevista, a banda Projeto Paralelo demonstrou acreditar na ascensão do rock nacional, investindo nele as fichas do seu trabalho. Definem criatividade como salvação da boa música. Criticam a hipocrisia, os falsos roqueiros e o preconceito musical. Para eles, o rock não morreu, e dia 26 de maio ele estará presente no II Festival de Bandas do Sines. 


Projeto Paralelo - MySpace




sexta-feira, 18 de maio de 2012

OSSO PARA MONSTROS E ZUMBIS

Por Deloan Mattos Perini 

Prática bastante comum é a aparição de atores no meio musical. Nessa carreira paralela com a música, algumas bandas formadas por esses atores dão certo, outras nem tanto. Um ator que se deu bem no meio musical foi o inglês Ryan Gosling com a banda Dead Man´s Bones. Ryan protagonizou filmes como Amor a toda prova (Crazy, Stupid Love, 2010), Drive (2010) e Tudo pelo poder (The Ides of March, 2010), sendo vencedor de vários prêmios em diferentes festivais. 

Gosling e o coro infantil em cena
A banda formada em 2005 iniciou sua história quando Ryan namorava a atriz Rachel McAdams e conheceu Zach, namorado da irmã de Rachel. Dessa amizade surgiu a oportunidade de criar a trilha sonora para uma peça que contava a história de monstros apaixonados, lobisomens e zumbis; porém, a dupla foi além e gravou um álbum, com o mesmo nome da banda, em 2009. A gravadora responsável pelo disco foi a Anti-Records , a mesma dos Mutantes e do norte americano Tom Waits, ator, músico e compositor. 

Segundo o site da gravadora, a dupla foi responsável por gravar todos os instrumentos do disco, até mesmo aqueles que nunca haviam sido tocados por eles. Ryan e Zach não queriam uma superprodução: optaram por uma gravação bastante simples; não utilizaram metrônomo e reduziram a quantidade de tomadas - máximo três por canção, fazendo com que as músicas ressaltassem a pureza contida na imperfeição. A composição contou também com a ajuda de Coro Infantil do Conservatório de Silverlake para completar as músicas. 

A simplicidade do álbum é o diferencial que torna Dead Man´s Bones um disco bastante puro; com músicas que variam do mais suave (Dead Hearts) ao mais eletrizante (Dead Man's Bones). As letras, que falam de monstros, fantasmas e zumbis de “coração partido”, alegrias e dores de viver (ou não); as vozes infantis e os tons fúnebres, tornam o álbum mórbido e ao mesmo tempo fascinante.


Dead Man's Bones - iTunes  
Dead Man´s Bones -  Site oficial
Dead Man's Bones - MySpace


quarta-feira, 9 de maio de 2012

OS GÊMEOS QUEIMADOS


Por Deloan Mattos Perini 

Filme dirigido por Marcelo Piñeyro, o argentino Plata Quemada (2000) foi exibido em festivais de cinema (norte-americanos e europeus) e recebeu, dentre outros, o prêmio Goya (premiação concedida pela Academia das Artes e Ciências Cinematográficas da Espanha) de melhor produção em língua estrangeira espanhola (2001). Há 10 anos, o longa teve uma classificação duríssima, considerado apropriado apenas para maiores de 18 anos, e com reservas, algo que não se via desde a ditadura brasileira. A “censura” foi atribuída à suposta "apologia" (???) à homossexualidade da película - o que é sintomático do preconceito da época. 

Plata Quemada conta a história de Cuervo (Pablo Echarri), Fontana (Ricardo Bartis), Nene (Leonardo Sbaraglia) e Angel (Eduardo Noriega), uma quadrilha que rouba um carro forte em Buenos Aires; no assalto, o trio acaba assassinando policiais argentinos. Para fugir da polícia e de um dos mandantes do crime, o grupo se refugia no Uruguai. Lá, os “Gêmeos”, como são conhecidos Nene e Angel, vivem um romance carregado de paixão e ciúme. A fuga do bando para o país vizinho desencadeia uma profunda confusão de sentimentos, solidão e situações mal resolvidas que explodem na derradeira fuga e num violento banho de sangue. 




Plata Quemada - IMDb 

domingo, 29 de abril de 2012

ANIMAÇÃO, PIPOCA E ORIENTE


Por Deloan Mattos Perini 

No último sábado (28/04), o Sines realizou uma sessão dupla de cinema com os premiados filmes A Viagem de Chihiro (2001) e O Castelo Animado(2004), ambos do diretor Hayao Miyazaki. O evento aconteceu no hall do 3º andar da UFFS e contou com a presença de alunos e professores da Universidade e das crianças da Obra Santa Marta, que, comendo pipoca, assistiram entusiasmadas à primeira sessão.

Chihiro (ao longe...)



A viagem de Chihiro narra a história de uma menina mimada que, no percurso até sua nova cidade, ingressa em mundo repleto de criaturas estranhas, situações inusitadas e muita aventura. Chihiro amadurece rápido ao se deparar com situações que desafiam seus medos e limitações, fazendo com que a menina abandone seus caprichos para salvar seu novo amigo, Haku, e seus pais - que foram enfeitiçados. Ao final do filme foi realizado um debate conduzido pelo professor Paulo Bittencourt, da UFFS, que ressaltou o caráter interpretativo da animação: “devemos observá-la apenas como uma obra de arte”. Segundo Bittencourt, isso pode ser um modo de não se exigir uma interpretação racional sobre os eventos ocorridos no filme. 

Paulo sobre Chihiro e cultura oriental


Na segunda sessão, O Castelo Animado, Miyazaki nos leva até um castelo mágico que viaja por lugares fictícios em que seus cidadãos convivem com magia, feiticeiros e bruxas. O longa, repleto de aventuras, acontece em um cenário de guerra onde se desenrolam várias tramas em paralelo: uma garota que envelhece devido a um feitiço, um feiticeiro habilidoso que luta sozinho contra o exército da rainha e um castelo que anda movido por um espírito do fogo. 

Uma característica comum desses filmes é a não existência de heróis e vilões claramente definidos, aspecto que normalmente marca os filmes de animação. O desafio de decifrar as intenções dos personagens é sempre interessante. Nas duas obras, Miyazaki convida o espectador a ingressar em histórias fascinantes através de animações espetaculares, que superam muitas produções japonesas e americanas da atualidade.

Plateia heterogênea ouvindo...





quarta-feira, 25 de abril de 2012

HUMOR NEGRO A BORDO

Por Deloan Mattos 

Um Homem Sério (A Serious Man, 2009), indicado ao Oscar de melhor filme em 2010, é uma produção estadunidense dos irmãos Joel e Ethan Coen. A película narra a história de Larry Gopnik (Michael Stuhlberg), um professor de física da Universidade de Midwestern da década de 60. Sua vida muda drasticamente quando sua esposa, Judith (Sari Lennick), resolve trocá-lo por Sy Ableman (Fred Melamed). Além de inúmeros problemas familiares, o professor tem a sua carreira acadêmica ameaçada por uma carta anônima. Desesperado, Larry procura o auxílio de três rabinos. 

A trilha sonora do filme é o resultado da parceria firmada entre irmãos Coen e o compositor Carter Burwell. Esse trio, de longa data, já garantiu o sucesso em muitos filmes, sendo este o mais atual. Segundo o site Tracksounds , o projeto sonoro proposto por Carter Burwell mistura instrumentos inusitados como chocalhos, harpas e cordas, sobrepondo contrabaixos e guitarras, numa tentativa de descrever o drama vivido por Larry ao longo do filme. 

O lugar de destaque na trilha sonora fica com a banda Jefferson Airplane (o grupo formado em 65 por Grace Slick e cia), com as músicas Comin’Back to me,  Today e o sucesso Somebody to Love, que parece recontar o enredo do filme quando entoa: “when the truth is found to be lies, and all the joy within you dies”.  Outras bandas norte-americanas dessa década também marcaram presença no filme, como Art of Love, em Good Times, e o "dinossauro" Jimi Hendrix, com Machine Gun. Essas bandas revivem o espírito dos anos 60 e fortalecem o contexto temporal no qual o filme está inserido, fazendo de A Serious Man uma produção incrível e a vida de Larry Gopnik, quem sabe, um pouco menos infeliz.




A Serious Man - IMDb
A Serious Man (trilha) - iTunes
Jefferson Airplane - Official Website 

E os Jefferson Airplane, à psicodelia:

segunda-feira, 16 de abril de 2012

ROCK, GLITTER E SEXO

Por Deloan Mattos 


O filme Velvet Goldmine (1998), do diretor californiano Todd Haynes, é uma ficção que descreve a trajetória do “Glamrock”, gênero musical que explodiu na Inglaterra nos anos 70. Os grandes ícones dessa época eram os músicos David Bowie e Iggy Pop, que no filme inspiraram a criação dos personagens Brian Slade (John Rhys-Meyers) e Curt Wild (Ewan McGregor). Essa fase do rock foi marcada pelas músicas agitadas, performances exageradas, forte liberdade sexual e androginia: os músicos vestiam-se com roupas coloridas, maquiagem, saltos altos e acessórios femininos. Esse estilo irreverente era aderido pelos jovens da época que passaram a vestir-se como seus ídolos purpurinados, afrontando os padrões sociais daquela década. 

David Bowie nos 70' como Ziggy Stardust 


A trilha sonora do longa se mantém fiel ao GlamRock, composta por músicas originais da época e outras que foram regravadas pela banda Venus in Furs, misturando veteranos do “Glam” com músicos de bandas, como Roxy Music, Radiohead e Placebo. Segundo o site Epinions.com, algumas músicas foram compostas pelas bandas Grant Lee Buffalo e Shudder especialmente para o filme, entre elas The Whole Shebang e Virginia Plain. 

Não por acaso Haynes recebeu o prêmio de Melhor contribuição artística no Festival de Cannes (Cf. IMDB). Além disso, o filme originou um álbum de mesmo título contendo todos os sucessos que compõem essa viagem sensual e alucinógena aos anos 70. 



Um pouco mais sobre o filme, o álbum e o Bowie:

Velvet Goldmine - IMDb 
Velvet Goldmine - iTunes
David Bowie - iTunes


quinta-feira, 22 de março de 2012

O PONTAPÉ INICIAL: Futebol e Territorialidades

Por Deloan Mattos

Na estreia do Sinestésicos, dia 19 de março, a UFFS recebeu Arturo Hartmann e Lucas Justiniano, produtores do documentário Sobre Futebol e Barreiras (2010). O filme, exibido no auditório da universidade, contou com a participação de mais de 200 pessoas, entre alunos, técnicos e professores.

Apesar do calor, o público permaneceu no local para conferir o documentário e participar da conversa com os cineastas. O filme apresentando utiliza o cenário da Copa do Mundo de 2010 para lançar uma nova percepção a cerca dos conflitos existentes entre Israel e Palestina, demonstrando, através de depoimentos dos cidadãos locais, as fortes influências políticas e religiosas que moldaram as expectativas desta sociedade em relação ao mundial da África do Sul.

Foto de Jerusalém, pelo cineasta Lucas Justiniano

Confira, abaixo, a entrevista concedida por Hartmann e Justiniano para o blog do Sinestésicos:

1) Quanto tempo durou a produção do documentário, da primeira ideia até a montagem final?
Justiniano: A ideia teve início em Janeiro de 2010, e o corte final foi realizado em março de 2011.

2) Ainda durante as pesquisas realizadas para a preparação do documentário qual(is) aspecto(s) surpreendeu(ram) mais?
Hartmann: Para a elaboração do documentário foram realizadas duas fases de pesquisa. A primeira foi um estudo da sociedade local que durou de janeiro a março de 2010. Nessa fase, foi necessário compreender a sociedade como um “elemento só”, pois apesar dos conflitos (Palestinos e Israelenses), as pessoas respeitam a unidade social ainda que através da violência. O cenário da Copa do Mundo serviu para demonstrar essas divisões sociais e suas interações. A segunda fase ocorreu 15 dias antes do início da Copa do Mundo, onde nós circulamos ao longo de todo território realizando a parte de fotografia. Esse período serviu também para a adaptação do restante da equipe que chegara ao país.

3) Houve empecilhos para a gravação de cenas e depoimentos em alguma área?
Hartmann: Não houve maiores constrangimentos ou problemas durante as entrevistas. Para as filmagens, foi utilizada uma câmera 5D, que por sua fácil mobilidade e semelhança com uma câmera fotográfica digital comum, permitiu discrição e qualidade de imagem. Tentamos empregar algumas estratégias para facilitar as entrevistas como, por exemplo, utilizar um tradutor para o diálogo, porém, essa tentativa não foi bem sucedida, uma vez que essa situação constrangia os entrevistados.

4) De qual maneira os materiais publicados em Blogs e páginas na internet repercutiram as polêmicas abordadas no documentário? Foi possível essa percepção? 
Justiniano: No geral as percepções podem ser divididas em dois públicos bastante distintos. Aqueles que convivem com a realidade descrita no documentário e aqueles que não têm tanta afinidade com o assunto. No primeiro caso, as percepções podem ser favoráveis ou contrárias à realidade apresentada no documentário; implicando em repúdio ou admiração ao material exibido de acordo com a cultura crenças e vivências do indivíduo. No segundo caso, as percepções são mais amenas ou favoráveis ao conteúdo do documentário.

Para mais informações, visitem o site do documentário sobrefutebolebarreiras.com.br. No post abaixo, Da série fotos do álbum você encontra as fotos feitas durante o evento. Fiquem ligados, dia 31 de março tem mais cinema na UFFS, com a exibição dos filmes Gritos e Sussuros (1972) e Saraband (2003) do dramaturgo e cineasta sueco Ingmar Bergman.