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terça-feira, 19 de junho de 2012

CINEMA E POLÍTICA

                                                                                                                                        Por Andrei Vanin

Nesse tempo quente de paralisações, greves & movimentos, nada melhor do que discutir o chamado "cinema engajado". A partir do fim da segunda guerra mundial e do nazi-fascismo, houve uma mudança nas condições sociais, econômicas, psicológicas e culturais no que se entende por Europa Ocidental. O cinema também se transformou. Alguns diretores da época começaram a produzir filmes que buscavam mostrar “a realidade como ela é”. Um dos mais conhecidos “movimentos” de politização do cinema foi o que se denominou de neo-realismo italiano tinha esse enfoque e procurava mostrar as dificuldades sociais.

Cena de Ladrões de Bicicleta

Com atores amadores, filmagens fora de estúdio e fotografia documental, alguns nomes se destacaram, como Rosselini – com seu filme Viagem à Itália (1954) - , Vittorio de Sica – com Ladrões de Bicicleta (1948) -, Luchino Visconti - com Obsessão (1943). Na atualidade, um nome destaque nesse estilo de fazer cinema – o dito cinema engajado – é o cineasta inglês Ken Loach. Com filmes produzido na década de 60 e 70, Loach ficou conhecido com Kes (1969), que foi considerado um dos melhores filmes feitos na Grã-Bretanha.

Loach atingiu o auge de suas produções na década de 90: Agenda Secreta (1990) ganhou o prêmio especial do júri no festival de Cannes, em 1990; Riff-Raff (1991) ganhou o Felix de melhor filme europeu, em 1992; Chuvas de Pedra (1993) ganhou prêmio especial do júri de Cannes, em1993.

Ken Loach

O clássico de Loach, porém, ainda permanece Terra e Liberdade (1995), que ganhou o prêmio do júri ecumênico em Cannes, sendo um sucesso de bilheteria na Espanha. Loach inspirou-se na obra de George Orwell para produzir a película, cuja ação se concentra em alguns personagens que combatiam o Partido Obrero de Unificación Marxista (POUM), no processo de decadência e da trágica derrota do movimento revolucionário espanhol contra a ditadura de Franco. Seus trabalhos mais recentes, como Ventos da Liberdade (2006), À procura de Eric (2008), e The Angel's Share (2012), continuam a retratar as dificuldades sociais e a política.

O cinema engajado continua a ser reconhecido e respeitado. Na edição deste ano de Cannes, o egípcio Depois da Batalha (2011) estava presente e marcou a “esfera política” do evento. No dia 7 de julho, o Sines também se engaja e terá a participação do professor Cassio Brancaleone, que discutirá a respeito de políticas no/do cinema e afins, na “Primeira Virada Cultural”.




Ken Loach - IMDb

sábado, 16 de junho de 2012

DA SÉRIE: MÚSICAS PARA OS PROTESTOS

P J Harvey, a mais política das artistas hiper-cool de que se tem notícia no rock atual, lançou em 2011 o álbum ainda não devidamente idolatrado como político, o Let England Shake. No disquinho, Harvey aponta sua metralhadora verbal para um certo modo de viver ocidental, que há algum tempo tem dado sinais de esgotamento.



Já na abertura, na faixa Let England Shake, a moça anuncia: England's dancing days are done. Lá pelo final, em Written on the Forehead, PJ lança mão de um multicultural hino jamaicano - Blood And Fire, do Niney The Observer - pra deixar bem claro: "deixa queimar".

Pra esses dias de estado de greve, vamos com um cardápio bastante incisivo: a faixa The Glorious Land. Lá se ouvem coisas como "a gloriosa herança (da Inglaterra) é de crianças deformadas". 

Nada como colocar, nestes tempos bicudos, um grande parênteses sobre as supostas glórias. Certo?



P J Harvey - iTunes