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sábado, 13 de outubro de 2012

GRITOS, SUSSUROS E DEDILHADOS


Por Yan Kaue Brasil

A canadense Claire Boucher lançou em fevereiro desse ano seu terceiro álbum de estúdio, Visions (2012), considerado pelo The New York Times como o melhor trabalho de Claire e um dos mais impressionantes álbuns do ano. Grimes – como Claire é conhecida – é uma criatura texturizada e grandiloquente – Sines gosta e, pós-greve, tem no cartaz. 

Grimes no ensaio para Drome Magazine
Visions é um álbum digressivo, que oscila entre uma doçura infantilizada e uma sensualidade abstrata. A faixa de abertura, Infinite Love Without Fulfillment (intro), é nebulosa. Com batidas ritmadas e uma infinita sobreposição de vozes (efeito que se repete durante todo o álbum), a faixa se distancia do que é apresentado posteriormente, no disco. O single Genesis vem ancorado em uma batida eletro-pop; o clipe – dirigido pela própria Claire – tem direito a japonismo e dancinhas, gritinhos e sussurros – além das bizarrices. Oblivion pode ser considerada uma faixa-complemento de Genesis: com sintetizadores em loop, a faixa é dançante & progressivamente experimental. 

Em Circumambient, Grimes canta: “O baby eu não posso dizer/ que tudo está bem” enquanto uma batida sequencial se mistura com os sintetizadores e com os efeitos de crepitação. Em Vowels = space and time e Be a body, Grimes abusa de sua voz aguda e, em tempos, infantilizada, sobretudo na segunda, que ecoa como um pedido de volta. Em Skin, a penúltima faixa do disco, os sentidos são maximizados: há sentimento lancinante. Nessa faixa, Grimes traz serenidade aliada à sua música robotizada: um quase-etéreo que leva o álbum a outra esfera - “And you can’t, and you can’t see the weight in the heart”.



Grimes – iTunes
Grimes – Facebook

terça-feira, 17 de abril de 2012

SO(KO) CUTE À FRANCESA

Por Yan Kaue Brasil

A garota doce & melódica, que morre e ressuscita a hora que bem entende – ela anunciou a sua “morte” musical em 2009, via MySpace, e “renasceu” após alguns meses – chama-se Stéphanie Sokolinski, a Soko, que não quer ser meiga, mas impossibilita esse desejo por conta das suas músicas melancólicas, de ritmo lento e de letras carinhosas. I’ll Kil Her foi a música que, em 2007, fez a moça se destacar nas paradas radiofônicas europeias, com destaque na Dinamarca. Hoje, ela é um Alien, ou apenas pensa ser um. 

O seu novo álbum, I Thought I Was a Alien (2012), é direto, desde a primeira faixa I Just Want to Make It New Whit You: “Você vai descobrir-me através das minhas canções/ Ouça todas as rachaduras e a falta de talento/ Eu espero que você não me odeie por isso”. Soko sabe o risco que assume ao expor seu lado sensível para deus e o mundo - e para os críticos. Além disso, sendo a emoção a linha guia do álbum, Soko sabe também que não atinge o público deficitário no quesito romance. 

Soko na sessão de fotos do encarte

De qualquer maneira, a menina francesa sabe aliar a sua voz delicada aos dedilhados marcantes de guitarra, sobretudo em I’ve Been Alone Too Long, onde a tonalidade vocal é instável e a carga emotiva se torna gritante. O mesmo se repete em For Marlon e No more Love, No More Home. Em consequência da sua temática, Soko justifica a energia das suas canções, carregadas de primeiros encontros e momentos nostálgicos. 





Soko - iTunes
Soko - Facebook