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segunda-feira, 2 de abril de 2012

SÁBADO DE CINEMA (E GRITOS. E SUSSURROS)

Por Andrei Vanin 

No último sábado do mês de março, dia 31, o Sinestésicos exibiu dois filmes: Gritos e Sussurros e Saraband, do diretor sueco Igman Bergman. A película Gritos e Sussurros, de 1973, relata, em 90 minutos, a vida e a morte na relação de três irmãs: Maria (Liv Ullmann), Agnes, a irmã doente (Hariett Anderssen), e Karin (Ingrid Tulin). Além das irmãs, uma personagem sempre presente é a “empregada” da família, Anna ( Kari Sylwan). Elas convivem em uma casa de campo e Agnes está enferma, precisando receber os cuidados de suas irmãs e de Anna. Ao longo da narrativa, a película vai ressaltando o ódio e a incomunicabilidade entre a família.

Sessão Bergman, com fotos de Gustavo Camargo

Após a exibição do filme, houve uma conversa com o professor Thiago Leite. Ele ressaltou o aspecto da falta ou do medo do corpo e do "toque", citando uma cena do filme onde Maria corta-se com vidro para não sentir o toque do marido. Ainda ressaltou o conceito de má-fé de Sartre, bem como o contraste das cores vermelho e branco e sua relação com outras dicotomias: gritos e sussurros, carinho e repugnância, etc. O debate foi muito produtivo, com várias perguntas das dezenas de pessoas que estavam presentes.

Após o debate, a sessão Bergman continuou com a apresentação de outro filme do diretor, Saraband. A película mostra a visita de Marianne (Liv Ullmann)  e Johan, seu ex- marido (Börje Ahlstedt) em uma bela casa de campo após 30 anos sem se verem. Ali, Marianne conhece o filho do Johan, Henrik (Erland Josephson) , e seu amor quase que possessivo por sua filha,  Karin (Julia Dufvenius). Ela irá presenciar o ódio e repugnância que Johan tem por seu filho, e o medo que Henrik tem de perder sua filha.

Com duas “obras de arte” de Bergman, o Sinestésicos fez o sábado de tarde  ter um cheirinho de cultura e uma exibição de gala do cinema. Com a venda de produtos do sebo do Ruído Coletivo e a presença de várias pessoas (acadêmicos, professores, comunidade externa), a sala de exibição do filme ficou lotada, com olhos grudados na tela e ouvidos atentos para conseguir captar os detalhes e a beleza dos filmes exibidos. Dois filmes, um debate: tudo para conseguir um vislumbre da linguagem cinematográfica de Bergman.

O Sinestésicos, porém, não para. Não percam a próxima atividade: Partilhando Leituras, no dia 14 de abril, às 16h30min, apresentando e discutindo o texto A Caverna, de José Saramago.  Acompanhe o blog,  siga o Twitter, curta o Facebook. 

quinta-feira, 29 de março de 2012

SINESTÉSICOS: A TRANSFORMAÇÃO

Neste sábado, Sinestésicos, Bergman e Thiago Leite vão transformar sua tarde outonal.

Começa às 14 h. Com sebo. Com drama.

O SEGUNDO DIA

Neste sábado, no Sinestésicos, vai ter Sessão Bergman, a partir das 14h, no hall do terceiro andar!

Os comentários serão do Professor Thiago Leite.

Tudo, como sempre, com direito à certificação.


quinta-feira, 22 de março de 2012

INGMAR BERGMAN: NOTAS SOBRE O CINEMA

Por Andrei Vanin 

O Sinestésicos mostrará o trabalho do diretor Ingmar Bergman no dia 31 de março. Serão exibidos os filmes Gritos e Sussuros e Saraband, que serão debatidos pelo professor Thiago Soares Leite. 

Igmar Bergman é ícone no cinema por dirigir filmes consagrados. Bergman nasceu em 1918, na Suécia. Ele começou a trabalhar com teatro, e após algum tempo passou a dirigir filmes – foram 47 ao todo. Popularizou-se quando dirigiu os filmes O Sétimo Selo, de 1956 e Morangos Silvestres, de 1957. Ao longo da carreira ganhou vários prêmios, de melhor direção, melhor filme estrangeiro, em Festivais como o de Cannes. 

Imagem: cena de O Sétimo Selo, de 1956


Bergman tem uma maneira peculiar de transmitir através da linguagem cinematográfica discussões universais sobre o "humano". No Sétimo Selo, por exemplo, retrata-se o contraste entre vida e morte: um cavaleiro medieval joga xadrez com a morte. Já em Morangos Silvestres, o egoísmo toma cena, retratado na história de um professor. Com temas que são cotidianos, o cineasta sueco questiona e mexe com a "essência" do que constitui o homem. 

Bergman une diversos elementos para compor os filmes. Isso pode ser visto, por exemplo, ao assistir os filmes em preto e branco – caso de Sétimo Selo, Morangos Silvestres, Persona entre outros. A sombra, a luz, o contraste, a textura, as falas, o cenário e o movimento ressaltam a melancolia, o ódio, o sofrimento, o medo e o sonho que percorrem a trajetória dos personagens. Em Gritos e Sussurros - que será exibido pelo Sines -, o colorido se soma à melancolia ou à disputa entre amor e ódio, trazendo à tona o tema do filme. 



Como muito já se disse, o cinema é um meio - ou ao menos devia ser - para despertar/suscitar questões nos/dos sujeitos. Bergman consegue justamente isso: fazer com que se pense sobre temas densos, fazendo notar o quanto eles podem ser impactantes para as pessoas. Pro Sinestésicos, entretenimento aliado à cultura parece ainda a melhor opção para sábados sonolentos.

Ingmar Bergman - IMDb