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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

TEMPESTADE EM COPO D’ÁGUA

Por Leonardo de Carvalho Prozczinski 

O astro Bob Dylan, tido por muitos como um dos reis do blues e por outros como traidor, quando trocou o violão pela guitarra nos anos 60, mais uma vez aparece com um álbum em meio a conturbações e cerimônias. Aos 71 anos, o cantor lançou, em setembro, seu 35º álbum de estúdio, Tempest (2012). 

Robert Allen Zimmerman, o Bob Dylan

Assim como em seus predecessores, o ritmo é nebuloso e informal. Canções vêm e vão ao maior estilo country “dylanense”, que há algum tempo apresenta um vocal ainda mais rouco e arrastado, exaltando a caminhada que viveu no decorrer da carreira. Tempest possui dois lados bem explícitos: enquanto algumas faixas demonstram o característico charme irônico de Dylan, outras parecem apenas rodar em modo automático. 

Seja qual for a causa, o humor do artista muitas vezes parece assassino. O primeiro indício de violência aparece logo no primeiro minuto, um pouco incongruente, durante o balanço alegre de Whistle Duquesne. O clipe da faixa exibe um rapaz que se encanta com uma moça na rua e leva surras enquanto corre atrás de sua paixão. A propensão do artista para a tragédia se manifesta durante a faixa-título, que narra o naufrágio do Titanic. A faixa transcorre por exaustivos 13 minutos, se tornando um buraco fúnebre sem fim. 

No entanto, o brilhantismo de Dylan se mantém intacto em faixas como Scarlet Town, hipnótica e obscura, onde ele canta, em tom melancólico e rústico, “na cidade Scarlet, você luta contra os inimigos de seu pai / no alto do morro, sopra um vento frio”. Já  Early Roman Kings evoca uma procissão ao mesmo tempo arrogante, divertida e perigosa, que faz lembrar os bons tempos de Highway 61 Revisited – segundo uma das contestadíssimas listas da Rolling Stone, o 4º melhor álbum de todos os tempos, e sua faixa inicial (Like A Rolling Stone), a melhor canção de sempre. 

O álbum encerra com Roll On John, que punge com comentários sobre a morte de John Lennon, mas evita o sentimentalismo, sendo uma despedida bonita em meio a um clímax redentor, que é, no geral, a nova cara de Dylan. 


Bob Dylan – iTunes
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terça-feira, 26 de junho de 2012

FACES DE UM CAUBÓI SOLITÁRIO

Por Deloan  Mattos Perini


O filme inspirado na vida do cantor e compositor americano Bob Dylan, Não estou lá (I´m not there), foi lançado em 2007, dirigido por Todd Haynes. O cantor viveu em constante transformação, musical, física e psicológica, sempre refletindo os fenômenos sociais e culturais, principalmente os da década de 60. No filme, as várias facetas de Dylan são representadas por seis diferentes atores: Cate Blanchett, Marcus Carl, Richard Gere, Heath Ledger, Ben Whishaw e Cristian Bale.

Uma dessas fases é a conhecida como "acústica" de Dylan, que é representada pelo ator Cristian Bale, que interpreta Jack Rollins nos álbuns Freewheelin Bob Dylan e The Times They Are Changin e John Pastor no período em que Dylan “nasce de novo” e grava Slow Train Coming e Saved.



A trilha sonora reúne grandes nomes da música estadunidense e inglesa, veteranos como Richie Havens e Ramblin' Jack Elliot até The Black Keys, Calexico e Charlotte Gainsbourg - além da própria banda de Dylan: Tony Garnier (baixo), Smokey Hormel (guitarrista) e John Medeski (tecladista), fazendo versões de All Along The Watchtower com Eddie Vedder, Ballad Of A Thin Man, com Stephen Malkmus e também participação de músicos do Sonic Youth.




A película teve grande aceitação mundial e se consagrou em várias listas - The Village Voice, Entertainment Weekly, Salon e The Boston Globe - como um dos dez melhores filmes de 2007. Destaque especial para a atuação de Cate Blanchett, premiada, entre outros, no Festival de Veneza e ganhadora do Globo de Ouro como melhor atriz coadjuvante.

Não estou lá é uma chamada irrecusável para fãs de Bob Dylan e um convite aos que querem conhecer um pouco mais sobre esse caubói solitário, "profeta do folk", roqueiro e popstar da música mundial.